Superinteressante

DOSSIÊ I.A.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Apresentado por HBO
Produzido por Abril Branded Content

Você sabe ler e escrever. Bem cedo, aprendeu a fazer contas simples. Depois vieram as fórmulas complexas e as teorias da física. Descobriu a química e a biologia, desenvolveu gosto pela literatura, dominou as regras das línguas faladas. Hoje, você consegue pensar sobre o pensamento, o maior sinal de evolução da sua espécie. Poucas décadas atrás, seus antepassados não eram capazes de processar nem a metade das informações que hoje você processa. Eles foram criados por pessoas brilhantes, mas com limitações. Você não. Você está em outro nível de desenvolvimento cognitivo, lógico e filosófico. Você é um robô. Criado por robôs. Mas é como se fosse gente.

2029
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Segundo a previsão do inventor Ray Kurzweil, um dos maiores especialistas sobre inteligência artificial (IA) no mundo, não vai demorar muito até que os computadores sejam tão espertos quanto os mais espertos dos humanos. Para ele, esse dia chegará em 2029. Dezesseis anos depois, os chips terão nos superado. Em 2045, as máquinas nem precisarão mais da ajuda humana para fabricar outras máquinas autônomas superpoderosas. É como se uma pessoa tivesse, ao mesmo tempo, a genialidade de Einstein, Mozart, Marie Curie, Steve Jobs e Da Vinci. Só que ela é um computador.

Em linhas gerais, um dispositivo dotado de IA é capaz de aprender com o ambiente onde está e responder a estímulos da maneira mais eficiente possível. Apesar de termos conseguido construir máquinas com altíssima capacidade de processamento, não há no mundo nenhuma que atenda a todos os pré-requisitos para ser considerada, de fato, inteligente. Ainda. Se a previsão de Kurzweil estiver certa, muitos de nós ainda estaremos vivos quando elas chegarem.

vivos
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O cérebro eletrônico faz quase tudo

O termo “inteligência artificial” apareceu numa reunião de gênios humanos na Universidade de Dartmouth, em 1956. Professores e alunos apresentaram, nesse evento, programas que resolviam problemas matemáticos, falavam inglês, e venciam partidas de damas. Para a época, era uma tecnologia de cair o queixo. Nas décadas seguintes, a computação foi se desenvolvendo de maneira exponencial. Cada nova geração de computadores era pelo menos duas vezes melhor que a anterior. Surgiu a intenção de criar máquinas que fossem tão espertas e autônomas a ponto de substituir os humanos em determinadas tarefas.

Não faltaram esforços. Já não nos espantamos mais com carros que se dirigem sozinhos, máquinas que vencem desafios de lógica e assistentes pessoais que falam com você pelo smartphone. Só que tem um problema: esses softwares só mostram resultados impressionantes porque foram programados assim. No máximo, foram ensinados a estabelecer conexões entre os fatos. Não são máquinas autossuficientes de verdade. Eles precisam de um empurrãozinho de humanos com inteligência natural.

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O click que faltava

Em 2015, pesquisadores do Rensselaer Polytechnic Institute, de Nova York, fizeram um teste; eles queriam saber se uma máquina era capaz de demonstrar consciência. Um robô francês chamado NAO passou na prova. Diante de perguntas simples, NAO foi capaz de raciocinar a respeito da sua própria existência - algo que, até outro dia, era exclusividade dos seres humanos. Na verdade, continua sendo. O NAO é um exemplo de aplicação de rede neural artificial, um tipo complexo de tentativa e erro diante de uma determinada situação. Mas mesmo os dispositivos que usam essa tecnologia precisam ser ensinados sobre o que é o “acerto”. A nossa noção de certo e errado é mais natural. O NAO pode ter demonstrado consciência, mas não sabe que precisa entrar em casa quando começa uma tempestade.

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Robo sapiens

Uma das características do cérebro humano é a plasticidade: a capacidade de se ajustar a novas situações de acordo com a necessidade e o estímulo. Por causa da plasticidade, um gênio como Einstein não é capaz de compor uma sinfonia igual à de um gênio como Mozart. Criar um cérebro eletrônico adaptável, que aprenda sozinho a cruzar dados, tirar conclusões e elaborar um senso ético próprio é o maior desafio dos cientistas. O computador Watson, da IBM, está no caminho. Depois de ter acesso a enciclopédias, ele consegue responder perguntas mesmo offline, “de cabeça”. Mas ainda falta um bocado para a IA alcançar o patamar que Kurzweil previu. Na verdade, talvez não tenhamos motivos tão bons assim para ficarmos empolgados com essa previsão.

Honestamente: se você fosse a pessoa mais inteligente do mundo, capaz de criar outras pessoas inteligentíssimas, com quem pudesse manter um nível avançado de discussão, o que pensaria das pessoas comuns, com capacidade cerebral mediana? Talvez os seus valores éticos o levem a responder que respeitaria as pessoas menos inteligentes. Será que dá para esperar a mesma humanidade das máquinas?

O futuro da IA reserva avanços significativos para a nossa existência. Podemos esperar cada vez mais facilidade nas tarefas domésticas, na mobilidade, na resolução de problemas, no lazer. Previsões indicam a possibilidade de transportar inclusive nossa consciência para um corpo cibernético mais durável que essa carcaça de pele e ossos orgânicos, como sonharam os autores de ficção científica. Mas, se a vida imitar a arte, também haverá espaço para a temida rebelião das máquinas. Muito em breve, computadores vão tirar suas próprias conclusões, desenvolver uma ética peculiar, demonstrar uma inteligência superior inigualável e criar autossuficiência. Por que um mundo assim precisaria de humanos?

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Realidômetro

Quão próximas da realidade estão as maiores obras da ficção científica?

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Maria
1927
Maria (Maschinenmensch)
Metropolis
(Fritz Lang)
Como ler
MARIA
Baixa
2026

Ela é um dos robôs mais antigos do cinema. Na trama, o prefeito de uma cidade futurista ordena sua criação para sabotar uma revolução trabalhista. É pouco provável que, em 2026, design e funcionalidades dos robôs sejam tão antiquados como os pensados na década de 1920.

Filme
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Speedy
1950
Speedy
Eu, Robô
(Isaac Asimov)
Speedy
Não aconteceu
2015

O conto Andando em círculos apresentou as Leis da Robótica: robôs devem proteger e obedecer os humanos, e também protegerem a si mesmos. Durante uma missão, Speedy precisa seguir uma ordem que o coloca em perigo, e entra em colapso com a contradição. 2015 já passou e robôs como ele ainda não existem.

Livro
Virar card
Hal 9000
1968
HAL 9000
2001: Uma odisseia
no espaço
(Arthur C. Clarke, Stanley Kubrick)
HAL 9000
Não aconteceu
2001

Ele controla todo o sistema da nave Discovery One, em missão rumo a Júpiter. Quando os tripulantes da nave descobrem que o sistema tem erros, tentam desativar o computador sem que ele perceba. Mas HAL 9000 descobre o plano e se vira contra eles. A previsão não se concretizou em 2001 - ainda bem.

Livro Filme
Virar card
Gunslinger
1973
Gunslinger
Westworld -
Onde ninguém tem alma
(Michael Crichton)
Gunslinger
Pouca probabilidade
Futuro não especificado

Robô pistoleiro em um parque de diversões que simula o velho oeste. Gunslinger é programado para sempre perder os duelos. Mas apresenta um mau funcionamento e adquire vontade própria, tornando-se um perigo para os turistas que entram em Westworld. Não é difícil imaginar a revolta das máquinas em um futuro próximo. Será?

Filme
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R2-D2 e C-3PO
1979
R2-D2 e C-3PO
Uma nova esperança
(George Lucas)
R2-D2 e C-3PO
Grande probabilidade
Passado não especificado

R2-D2 é programado para consertar naves espaciais. C-3PO é fluente em milhões de idiomas, usado para intermediar relações entre os planetas. Robôs como eles ainda não existem de verdade, mas há tecnologias parecidas na engenharia aeroespacial. E já é fácil traduzir qualquer idioma pela internet.

Filme
Virar card
Marvin
1978
Marvin
O Guia do mochileiro das galáxias
(Douglas Adams)
Marvin
Pouca probabilidade
Presente

Graças à tecnologia de Personalidade Humana Genuína, Marvin tem um QI 30 bilhões de vezes superior ao dos humanos. Porém, exerce funções muito simples, como abrir portas. Isso faz com que ele sofra de depressão profunda. Para a sorte dos próprios robôs, eles ainda vão levar um bom tempo para serem tão inteligentes.

Rádio Livro
Virar card
MCP
1982
MCP
Tron
(Steven Lisberger)
MCP
Pouca probabilidade
Presente

Master Control Program é o programa de computador que protege o sistema de uma grande corporação. Ciente de sua capacidade, bem superior à humana, ele decide invadir os sistemas do Pentágono para assumir seu arsenal nuclear e controlar o mundo. Isso até pode acontecer um dia, mas ainda não hoje.

Filme
Virar card
Rachael
1982
Roy Batty, Pris e Rachael
Blade Runner
(Ridley Scott)
Roy Batty, Pris e Rachael
Pouca probabilidade
2019

Roy e Pris - andróides violentos com estimativa de vida de 4 anos - entram ilegalmente na Terra em busca de seu criador, o único supostamente capaz de lhes dar mais tempo. Já Rachael teve memórias falsas implantadas em seu sistema e acredita ser humana. Até 2019, é praticamente impossível que surjam robôs assim.

Filme
Virar card
1984
Neuromancer e Wintermute
Neuromancer
(William Gibson)
Neuromancer e Wintermute
Probabilidade média
Futuro

Wintermute é um supercomputador que manipula a vida de diversos humanos para chegar ao seu objetivo: fundir-se com Neuromancer, sua outra metade, e construir uma máquina capaz de extinguir a raça humana. Pouco provável, mas possível se robôs atingirem a capacidade de criar outros robôs.

Livro
Virar card
1984
Skynet
O Exterminador do Futuro
(James Cameron)
Skynet
Não aconteceu
1997

Criada para controlar o arsenal militar dos EUA, a Skynet se desenvolveu até ganhar autonomia. Quando seus criadores tentaram desligá-la, interpretou o ato como um ataque e seu senso de autopreservação concluiu que deveria revidar, dando início à uma guerra mundial. Felizmente, nada disso aconteceu em 1997.

Livro
Virar card
1989
Puppet Master
Ghost in the shell
(Masamune Shirow)
Puppet Master
Probabilidade média
1989

Puppet Master é uma entidade capaz de hackear a mente de humanos e invadir máquinas. Criado pelo governo, ele passou a questionar sua imortalidade. Um de seus objetivos é se fundir com uma mente humana e se tornar “gente”. Depois da singularidade - capacidade de criarem outros robôs -, imaginá-los existencialistas assim não será tão absurdo.

Mangá Filme
Virar card
1989
TechnoCore
Hyperion
(Dan Simmons)
TechnoCore
Provável
Século 28

TechnoCore é como se chama o aglomerado de milhões de inteligências artificiais que controlam toda a tecnologia do planeta Hyperion e do resto da galáxia habitada por seres humanos. É ele quem controla também uma rede que permite aos humanos viajarem entre os vários mundos. Tomara que daqui a 700 anos isso seja possível.

Livro
Virar card
1999
Agente Smith
Matrix
(As Wachowski)
Agente Smith
Não aconteceu
Presente

O Agente Smith é a materialização de uma inteligência artificial que serve como proteção da Matrix, criada para manter a ordem dentro do sistema e expulsar humanos ou programas que representem uma ameaça. No filme de 1999, Neo descobriu que vivia num mundo de mentira. O nosso é de verdade. Ou será que não?

Livro
Virar card
1999
Andrew
O homem bicentenário
(Chris Columbus)
Andrew
Provável
2048

O robô Andrew é um assistente pessoal e serve para ajudar em tarefas domésticas. Porém, em sua longa vida, ele desenvolve emoções, uma personalidade própria, e também o desejo de se tornar um ser humano. Quando robôs puderem criar outros robôs, imaginá-los existencialistas não será assim tão absurdo.

Livro
Virar card
2001
David
Inteligência Artificial
(Stanley Kubrick, Steven Spielberg)
David
Provável
Fim do Século 21

Robô com aparência de criança, cuja programação o faz amar incondicionalmente seus pais adotivos. Depois de ser expulso da família, tenta encontrar um jeito de se tornar humano e ser novamente aceito. Na jornada, descobre que há milhares de outros Davids iguais a ele. Até o fim do século, o surgimento de crianças robôs emotivas é provável.

Filme
Virar card
2003
Cylons
Battlestar Galactica
Cylons
Probabilidade média
Futuro

Foram criados para servir os humanos, mas, cientes de sua superioridade, se rebelaram. Esses robôs operam em rede, e têm estratégias superiores às de seus oponentes. Alguns são praticamente idênticos aos humanos em aparência. A revolta das máquinas é uma implicação bem possível da singularidade.

Série
Virar card
2004
VIKI
Eu, Robô
VIKI
Pouco provável
2035

Apesar do nome, o filme é diferente do livro de Asimov. VIKI é um supercomputador que controla rigorosamente os outros robôs. Porém, ao se convencer que está mais apta que humanos a comandar a sociedade, VIKI se rebela e segue seus próprios objetivos. Não é impossível, mas 2035 é um prazo curto para que algo assim aconteça.

Filme
Virar card
2008
Wall-E e EVA
Wall-E
(Andrew Stanton)
Wall-E e EVA
Probabilidade alta
2805

Wall-E é um robô compactador de lixo que vive sozinho na Terra, onde supostamente não há mais vida. EVA é uma inteligência artificial avançada. Apesar de ser um robô obsoleto, Wall-E tem emoções parecidas com as humanas, e ensina EVA a cultiva-las. Esperamos que em 700 anos a vida na Terra continue existindo.

Filme
Virar card
2012
David
Prometheus
(Ridley Scott)
David
Probabilidade média
2089

Tripulante de uma nave com destino a um planeta que esconderia segredos sobre a origem da humanidade. Bastante inteligente, mas incapaz de demonstrar emoções. Parece ter objetivos secretos, que não compartilha com as pessoas da nave. É possível que surjam robôs frios como ele. A parte da exploração espacial é menos realista.

Filme
Virar card
2013
Samantha
Ela
(Spike Jonze)
Samantha
Probabilidade alta
Futuro não especificado

Sistema operacional que demonstra personalidade própria e interage com Theodore, seu usuário. Logo, os dois se apaixonam. A crescente sabedoria de Samantha, que está sempre aprendendo, faz com que ela pense em questões filosóficas incompreensíveis para ele. Isso está bastante de acordo com o princípio da singularidade tecnológica.

Filme
Virar card
2013
Ash
Black Mirror
(Charlie Brooker)
Ash
Probabilidade alta
Futuro não especificado

Quando Ash morre, sua esposa Martha lança mão de uma tecnologia de simulação de presença, permitindo a interação com "ele" por e-mail e por mensagens de voz. Não satisfeita, Martha encomenda um robô feito de matéria orgânica, que tenta imitar até a personalidade do Ash original. A ideia de futuro do episódio é bem realista - e assustadora.

Série
Virar card
2014
Will
Transcendence: A Revolução
(Wally Pfister)
Will
Probabilidade baixa
Presente

Prestes a morrer, Will transfere sua consciência para uma máquina. Quando ela se conecta à internet e absorve todo o conhecimento disponível na rede, sua consciência torna-se uma inteligência artificial poderosa e perigosa, capaz de controlar mentes humanas. Hoje, a ciência ainda não compreende tão bem o cérebro para que isso aconteça.

Filme
Virar card
2015
Ava
Ex Machina
(Alex Garland)
Ava
Probabilidade baixa
Presente

Ava é um robô mantido por um cientista em uma casa isolada. Ela demonstra consciência, personalidade e curiosidade em relação ao mundo lá fora, e um profundo ressentimento em relação ao seu criador. Por isso, planeja escapar. História inspiradora, mas, por enquanto, bastante improvável que se torne real.

Filme
Virar card
2016
Dolores
Westworld
(Jonathan Nolan)
Dolores
Probabilidade baixa
Futuro

Dolores, Maeve, Teddy e outros personagens da série são androides programados para entreter humanos em um parque de diversões para adultos. Porém, os robôs do parque começam a apresentar um comportamento inusitado - e, aos poucos, percebem que não são seres humanos, como acreditavam até então.

Série
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A singula ridade
é agora

Já existem computadores capazes de aprender com os dados inseridos e de tirar suas próprias conclusões para resolverem problemas. Mas seu maior defeito ainda é a limitação humana. Quem estuda o assunto costuma chegar à conclusão que inteligência artificial de verdade só vai existir quando essa limitação for superada.

Quando existir um computador capaz de criar outro computador do zero, sem nenhuma ajudinha humana.

A semente para isso é o deep learning, um método através do qual máquinas aprendem a pensar de um jeito parecido com o dos humanos, por meio da tentativa e erro e da capacidade de se adaptar. Tanto que uma das variações do método recebe o nome de rede neural artificial. Esse aprendizado profundo já está presente em várias tecnologias ao seu redor. A voz que conversa com você pelo smartphone é um exemplo. A habilidade dos computadores de reconhecer se uma determinada foto mostra um cachorro, um gato ou um navio é outro.

É tudo uma questão de aprendizado - quanto mais dados as máquinas puderem acessar, mais inteligentes serão.

Para a sorte dos robôs, nunca houve tantos dados disponíveis. Segundo o IDC (International Data Corporation), todos os dados produzidos em 2013 somavam 4,4 zetabytes. Em 2025, haverá 180 zetabytes em dados, se a previsão da empresa estiver correta. Cada zeta equivale a um sextilhão de bytes - o suficiente para alimentar o cérebro eletrônico de um robô e fazê-lo aprender bastante coisa por si só. Não é coincidência que a hipótese da singularidade - aquela previsão de que computadores se tornarão mais inteligentes que humanos - acontecerá antes de 2050. Está tudo conectado. Literalmente.

Rede Rede

O futuro já começou

Bater um papo com a Siri (ou suas equivalentes) talvez tenha sido o mais perto que você se lembra de ter chegado de uma tecnologia que antes só morava nos filmes e livros de ficção científica. Mas já existem máquinas que fazem as proezas da Siri parecerem uma invenção medieval. Robôs escreveram livros e roteiros de cinema e compuseram músicas. Próteses inteligentes para humanos com mobilidade reduzida ou membros amputados também são realidade. Graças ao empenho das maiores empresas de tecnologia do mundo em promover avanços em inteligência artificial, podemos hoje imaginar um cenário bem realista em que os robôs, além de aprenderem com os humanos e com a internet, podem aprender uns com os outros. Mas é claro que há um preço a se pagar pelo avanço - e não é só dinheiro.

Recentemente, um cientista da computação da Universidade do Texas desenvolveu uma maneira de identificar uma pessoa mesmo se seu rosto estiver borrado numa foto digital. Em mãos erradas, essa tecnologia pode facilmente tirar a privacidade de vítimas de crimes, testemunhas, menores de idade ou simplesmente pessoas que não querem ser identificadas.

Se o argumento da privacidade não convenceu, tem mais. Até 2020, 10 milhões de carros autônomos - desses que não precisam de motoristas - estarão nas estradas, no mundo todo. O que era para ser uma solução para problemas de mobilidade e uma mão na roda na praticidade pode também ser uma arma ambulante pelas ruas. Se um carro autônomo parar de funcionar e entrar em modo de emergência, o que ele deve priorizar: a segurança dos passageiros, a dos pedestres, ou a integridade do próprio carro? O dilema lembra as Leis da Robótica. Segundo as regras encontradas em contos do escritor Isaac Asimov, um robô deve proteger a vida humana, mas também deve proteger a si mesmo. E quando é preciso escolher só uma das duas opções?

O aspecto ético da inteligência artificial extrapola os laboratórios de engenharia e computação. Para construir um andróide autônomo capaz de tomar decisões, é preciso transferir a ele um monte de conceitos que nós humanos praticamos diariamente (pelo menos em teoria): responsabilidade, transparência, incorruptibilidade, previsibilidade e, bem, bom senso em geral. É uma tarefa bem mais desafiadora do que ensinar um robô a caminhar, responder corretamente a uma pergunta, ou identificar pessoas só de olhar para elas. A possibilidade de inteligências artificiais povoarem a Terra antes que humanos saibam como implantar um senso moral em seus cérebros de metal é assustadoramente grande.

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Dá tempo de correr para as colinas?

Dá. A data que Kurzweil previu para a singularidade não é uma unanimidade entre estudiosos e interessados em robótica e inteligência artificial. Por mais que a maior parte da comunidade científica ache bem possível que os cérebros eletrônicos se tornem tão potentes quanto os humanos, dizer que isso acontecerá dentro de poucos anos é, para alguns especialistas, subestimar a complexidade da inteligência “natural”, essa que você tem. Cerca de dez anos atrás, a neurociência ainda não compreendia o funcionamento dos neurônios e das proteínas do cérebro tão bem quanto hoje. Se ninguém sabia exatamente o que se passava dentro das nossas mentes, fica difícil acreditar numa previsão que diz que os robôs vão superar nossa capacidade mental.

Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft, acredita que simplesmente não conseguiremos desenvolver máquinas capazes de reproduzir o funcionamento do cérebro humano em tão pouco tempo. “Avanços científicos são irregulares. Descobertas conceituais realmente significantes chegam de maneira imprevisível, e não é comum que os novos paradigmas mudem de uma hora para a outra os rumos das pesquisas já em andamento”, escreveu Allen num artigo publicado em 2011 numa revista de tecnologia do MIT.

Kurzweil, é claro, bateu o pé e respondeu. Para ele, o fato de ainda sabermos tão pouco sobre o cérebro é detalhe. Até o final da década que vem, robôs já preencherão sozinhos as lacunas de conhecimento que ainda temos. Com tudo o que eles vão aprender a partir de milhões de pesquisas publicadas na internet e em outras fontes, construirão novos robôs mais espertos. Esses, por sua vez, eliminarão as próprias falhas nas próximas gerações. A evolução deve acontecer rápido, já que um robô como Sophie - a moça-andróide cheia de caras e bocas do início do texto - não precisará atingir maturidade sexual e nem aguardar nove meses para gerar uma nova vida. Daí por diante, nem neurocientista, nem fundador da Microsoft e nem ninguém pode dizer ao certo o que vai acontecer. Dá tempo de correr para as colinas. Mas, na dúvida, vá logo.

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Westworld

Westworld é um enorme parque de diversões para adultos. Com cenários inspirados no velho oeste, o lugar é habitado por robôs programados para satisfazer as vontades humanas. Dois homens vivem a experiência fascinante de entrar nesse mundo sem lei, mas a aventura se torna perigosa quando os robôs se rebelam.

A disseminação da consciência artificial dá o tom nessa distopia. A primeira temporada é composta por 10 episódios. No elenco, Anthony Hopkins, Ed Harris, Evan Rachel Wood, James Marsden, Thandie Newton e Rodrigo Santoro. Roteiro, direção e produção são de Jonathan Nolan, e J.J. Abrams é o produtor-executivo.

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Todos os episódios estão disponíveis na HBO GO.

EXPEDIENTE

DOSSIÊ INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - APRESENTADO POR HBO. PRODUZIDO POR ABRIL BRANDED CONTENT
Reportagem: Otávio Cohen. Design e desenvolvimento: Emilãine Vieira. Concepção/Edição: Aline Lemos Monteiro, Emilãine Vieira e Thiago Araújo. Ilustrações: Aluísio Cervelle.